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4 de jan. de 2012

Demitido, ex-técnico da seleção feminina de basquete desabafa e ataca gestão de Hortência na CBB

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"Se não colocarem freios nela, a situação poderá ficar pior", disparou Ênio Vecchi

Fora do comando da seleção brasileira feminina de basquete desde o último dia 15 de dezembro, Ênio Vecchi finalmente decidiu desabafar sobre sua demissão. Em entrevista ao jornal “Lance”, o técnico atacou o modo como Hortência vem atuando no cargo de diretora de seleções femininas da CBB (Confederação Brasileira da modalidade):

- Como jogadora, ela foi brilhante. Mas como dirigente ainda faltam muitas coisas. Ela vai aprender com os erros. Quando ela assumir um compromisso, tem que cumprir. Ela precisa ter responsabilidade sobre as decisões que toma. Ela não pode alterar a todo momento uma situação. (...) A Hortência precisa ter mais embasamento para tomar as decisões na parte administrativa e até mesmo analisar o jogo.

Vecchi está especialmente indignado com o fato de ter sido pego de surpresa pela dispensa. De acordo com ele, no momento de sua contratação houve a promessa que seu contrato, inicialmente de um ano, seria automaticamente renovado para a Olimpíada de 2012:

- Aquilo que foi apalavrado não foi cumprido. É isto que me deixa indignado. Além disso, esta reunião (a da dispensa), ocorreu no dia 15, quatro dias antes de eu fazer uma cirurgia de próstata. Tinha outras preocupações. Não passava pela minha cabeça que poderia ficar sem emprego. Houve uma falta de “feeling” tremenda.

Em conversa com amigos revelada pelo jornal “O Estado de São Paulo” na última semana, Hortência admitiu que o mau desempenho no Pan (medalha de bronze após perder a semifinal para o modesto time de Porto Rico) foi fundamental para a saída de Vecchi. Segundo a ex-jogadora, Guadalajara não era o lugar de fazer testes. Ênio rebateu prontamente as acusações:

- Ela esqueceu coisas importantes com relação ao Pan. Elaboramos juntos a lista de jogadoras antes mesmo do Pré-Olímpico (onde o Brasil foi campeão e se classificou para a Olimpíada de Londres). A Hortência avaliou e avalizou a relação (...) Coisa que ela mesma planejou e agora está criticando. O Pan era o cenário ideal para darmos mais rodagem a atletas jovens e conversamos isso. Então, não faz o mínimo sentido o que ela está falando.

Vecchi assumiu a seleção sem ter sequer uma passagem pelo basquete feminino, mas ainda assim resolver mergulhar fundo no desafio e decidiu sair de seu antigo emprego, o time masculino do Vitória. Agora, encontra-se sem trabalho e com as perspectivas reduzidas pelo fato de o NBB (Novo Basquete Brasil) e a LBF (Liga de Basquete Feminino) já estarem em andamento:

- O prejuízo profissional é muito grande. Eu havia mudado toda a minha vida para me dedicar a este projeto. A situação agora é complicada (...) Mas sei que trabalho não vai faltar. Só espero que, pelo bem do basquete, meu caso sirva de exemplo. Se não, ficaremos como no futebol, com mudança de técnico toda hora. E o basquete prega o contrário, pois é um esporte no qual o trabalho a longo prazo faz toda a diferença.

O técnico será substituído por Luiz Cláudio Tarallo, que este ano levou a seleção brasileira feminina sub-19 à terceira posição no Mundial da categoria. Trata-se do quarto treinador a assumir a função somente neste ciclo olímpico – antes de Vecchi, Paulo Bassul e o espanhol Carlos Colinas estiveram à frente da seleção e foram demitidos por Hortência.

Diante de tal situação, o agora ex-técnico da seleção pediu a intervenção do presidente da CBB, Carlos Nunes:

- Se não colocarem freios nela (Hortência), a situação poderá ficar muito pior. Ela está tomando decisões muito espontâneas.

- Ou trocasse só eu ou trocasse todo mundo. É muito contraditório ela ficar e nós sairmos. O Uruba e a Janeth fizeram um grande trabalho, ajudaram muito a fortalecer a nossa defesa. Aí, a diretora faz a avaliação de que não gostou do resultado e sobra só para nós dois? Não dá para entender isso. É uma incoerência muito grande. São muitas interrogações que ficam.

Outro lado

Procurada pela publicação para comentar as declarações de Vecchi, Hortência preferiu não aumentar a polêmica:

- Não tenho mais nada para falar. Aceito as críticas desde que elas sejam construtivas. Sei que ele ficou bastante chateado, como eu também ficaria. Eu entendo. Porém, sou uma profissional e vejo a seleção como um todo. Não penso apenas na equipe principal.

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