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6 de set. de 2010

Copa do Mundo abre mercado milionário para construtora


Estádio do Mineirão (MG) receberá R$ 743,4 milhões em investimentos

Cássia Eponine, do Jornal Hoje em Dia

O Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, reabrirá suas bilheterias em 2013, sob nova administração. No lugar do governo do Estado, gestor do estádio nos últimos 45 anos, deve entrar em campo o consórcio formado pelas empresas mineiras Egesa Engenharia e Hap Engenharia, lideradas pela paulista Construcap, em um modelo de gestão compartilhada com clubes inédito no país.

O consórcio foi o vencedor e único participante da licitação realizada em agosto para a seleção da concessionária que administrará o Mineirão em conjunto com América, Atlético e Cruzeiro durante 25 anos. A expectativa é que o resultado seja aprovado em outubro para que, no início do ano que vem, a nova concessionária dê início às obras, orçadas em R$ 743,4 milhões.

Hoje, o Mineirão é um estádio deficitário, ou seja, que não dá lucro. Só em 2009 gerou ao Tesouro de Minas Gerais um custo extra de R$ 3,395 milhões, por meio da Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, uma autarquia estadual.

Para se transformar em um negócio lucrativo, o Mineirão deixará para trás o conceito de sede de jogos de futebol para reabrir as portas como um espaço multiuso, com centro de serviços, lojas, melhor infraestrutura para eventos, centro de convenções e, possivelmente, até um hotel, caso a concessionária avalie que sua implantação é viável. Só na vizinha UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), há uma demanda potencial de 55 mil pessoas por dia.

Pelas regras do novo modelo, o Estado garante à concessionária uma remuneração mensal de R$ 3,7 milhões durante 25 anos, a serem pagos a partir de 2013, quando o estádio deverá ser reaberto.

Durante a realização das obras em 2011 e 2012, o Mineirão será transformado em um espaço multiuso com potencial de arrecadação mensal de R$ 2,8 milhões, segundo projeções do Núcleo de Gestão das Copas do Governo do Estado. Caso essa projeção se confirme, caberá ao governo um aporte mensal de R$ 900 mil. Se a arrecadação superar os R$ 3,7 milhões previstos em edital, o excedente será dividido, meio a meio, entre concessionária e governo.

Estádio também será palco de megashows

Além da possibilidade de ganhos com a exploração de novos espaços, como o centro comercial, a expectativa é de um forte crescimento da arrecadação com eventos.

- Belo Horizonte está fora dos megashows por falta de espaço adequado. O novo Mineirão colocará a cidade nos circuitos mais importantes - diz o presidente do Núcleo de Gestão das Copas do Governo do Estado, Tadeu Barreto Guimarães.

Ele acrescenta que o rebaixamento do gramado colocará fim à impossibilidade de entrada de caminhões de grande porte no estádio, o que obrigava os produtores de eventos a descarregar todo o material e carregá-lo, novamente, em um caminhão menor, para ter acesso ao gramado.

- Com a redução do tempo de montagem dos equipamentos, será mais fácil conciliar shows e eventos esportivos, aumentando a arrecadação.

Antes do fechamento para a reforma, a média era de seis grandes eventos anuais.

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