As circunstâncias que cercam a definição do palco paulista na Copa do Mundo de 2014 são como um cardápio do que há de pior na gestão pública brasileira – e confirmam os mais graves temores dos que hesitam em festejar a realização do evento no país. Conforme revelou o presidente do Corinthians em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o projeto do estádio candidato a receber a abertura da maior competição esportiva do planeta foi aprovado no escuro – nem a CBF nem os governos federal, estadual e municipal viram uma maquete ou planta que fosse.A escolha foi questão de princípios – ou da falta deles. Hoje, o “Fielzão” pode ser não mais que um desenho feito no computador e um terreno lamacento no extremo leste da maior cidade do Brasil. Não cumpre os requisitos técnicos da Fifa – até porque ainda não existe -, mas atende às exigências de Ricardo Teixeira – afinal, não pertence ao São Paulo, clube que ousou descumprir os desejos do dirigente que é dono do futebol brasileiro há duas décadas. Não é a opção mais segura do ponto de vista econômico, mas é a que aquece o coração de Luiz Inácio Lula da Silva, que se prepara para descer a rampa do Planalto carregando um presentão ao time que escolheu para torcer – cortesia da Odebrecht, que já arma as fundações de sua próxima grande obra, a coleção de encomendas que espera receber num possível governo de Dilma Rousseff.
Preferiu entrar no jogo político que antes condenava e antecipar o anúncio do estádio do Corinthians para evitar que Lula pudesse transformar a apresentação do projeto – antes prevista para uma festa que teria o presidente como convidado de honra – num trunfo para colher mais alguns votos ao seu candidato ao governo do estado mais rico da União. A Copa à moda brasileira, como se vê, começou quatro anos antes do pontapé inicial do primeiro jogo do torneio, marcado para um estádio que ninguém sabe como será.









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