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23 de jul. de 2010

Recusa do Fluminense ganha ares políticos contra 'soberba' da CBF

Thales Calipo
Em São Paulo
UOL Esportes

A atitude do Fluminense de se recusar a ceder Muricy Ramalho à seleção brasileira foi vista com surpresa nos bastidores do futebol. Pessoas com livre trânsito com Roberto Horcades, presidente do clube carioca, no entanto, apontaram que a atitude foi uma resposta aos ataques políticos sofridos durante a eleição do Clube dos 13 e, mais recentemente, a uma atitude do mandatário da CBF, Ricardo Teixeira, classificada como “soberba”.

O bom relacionamento entre os dirigentes se deteriorou em abril. Na época, o Fluminense indicou apoio a Fábio Koff na eleição do Clube dos 13. Insatisfeito com o fato, já que defendia o flamenguista Kléber Leite no pleito, o presidente da CBF deu a entender que a decisão do rival estava condicionada ao fato de ele, Ricardo Teixeira, deixar de ser paciente de Roberto Horcades, que também é cardiologista.

Depois desse episódio, Horcades passou a ser visto como inimigo de Teixeira. E, na última quinta-feira, o dirigente do Fluminense teve outra prova, ao tomar conhecimento, por terceiros, do convite feito pela CBF para se reunir com Muricy Ramalho na manhã desta sexta-feira, fato que revoltou a diretoria do clube carioca.

Logo após o encontro, Teixeira, sempre avesso a entrevistas, fez questão de confirmar o convite feito a Muricy Ramalho no principal programa esportivo da TV Globo. Apesar de tentar manter a cautela, o presidente já fazia planos sobre a nova comissão técnica que montaria.

Algumas horas depois, Horcades abriu a coletiva de imprensa promovida pelo Fluminense para anunciar que não iria liberar Muricy Ramalho. Logo na sequência, o dirigente se retirou da sala, alegando ter compromissos em seu consultório. A partir de então, coube a Alcides Antunes, vice-presidente de futebol, e Celso Barros, homem-forte da patrocinadora do clube, dar mais explicações.

E foi justamente o vice de futebol, durante uma resposta, que resumiu o sentimento de revolta contra a atitude do Fluminense. “Não comunicamos o presidente da CBF. Mesmo direito que ele [Ricardo Teixeira] teve para convidar o Muricy diretamente para um café, nós temos para não comunicá-lo”.


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