
Felipe Massa teve a imagem arranhada após se deixar ultrapassar por Fernando Alonso no GP da Alemanha, no último fim de semana? A questão é tão polêmica que nem mesmo profissionais de marketing entram em um consenso. Procurados pelo UOL Esporte, especialistas no assunto divergiram sobre o impacto que a armação da Ferrari pode ter para a carreira do brasileiro.
“O mercado como um todo, e envolvo o patrocinador e o consumidor nisso, já vêm ressabiados com esse tipo de atitude. Seguramente, a imagem de qualquer um que faça esse tipo de coisa fica arranhada. Não dá mais para você acordar cedo e ver aquilo. Foi um balde de água fria”, disse Rafael Plastina, sócio da Informídia Pesquisas Esportivas.
“Antes de mais nada, o Felipe trabalha para uma empresa e ela se chama Ferrari. Às vezes você tem de seguir ordens e não são exatamente aquelas que você gostaria. Se ele não cumprir o que a equipe mandou, ele pode ser demitido e aí vai deixar de ser ídolo”, disse Geraldo Rodrigues, ex-empresário de pilotos e presidente da agência de marketing esportivo Reunion.
Líder da prova, Felipe Massa recebeu uma ordem pelo rádio da equipe para dar passagem a Fernando Alondo, que vinha mais rápido e está na frente no campeonato. O brasileiro abriu caminho para o espanhol, e após a prova de Hockenhein chegou a dizer que a decisão foi sua.
O argumento dos defensores do piloto passa pelo vínculo com a escuderia, que já colocou Rubens Barrichello em situação semelhante quando este fazia dupla com Michael Schumacher. Felipe Massa renovou recentemente com a equipe, mas estaria sujeito a possíveis punições e até uma demissão caso ignorasse a ordem.
Outros dizem que o brasileiro, que foi vice-campeão mundial em 2008, chegou a um momento da carreira em que poderia tomar tal atitude. Caso perdesse o emprego, Massa encontraria espaço em outras escuderias e evitaria um rótulo negativo em sua imagem, que pode lhe ser imposto pelo público.
“Não é uma decisão simplista. É muito fácil falar para o piloto que ele teria de fazer isso. Não sei se outra equipe vai aceitá-lo sabendo que ele não recebe ordens”, disse José Carlos Brunoro, que minimiza os danos à imagem. “Sempre fica arranhada, mas não a ponto de perder a credibilidade”, concluiu o sócio da agência BSB, que teve passagens como gestor por Palmeiras e Santos, além de clubes de vôlei e até uma escuderia na Fórmula 1.
Curiosamente, uma possível vitória no último domingo marcaria uma reviravolta considerável em sua carreira. O GP alemão aconteceu exatamente um ano após o grave acidente na Hungria, que o tirou da reta final da temporada da Fórmula 1 em 2009. O triunfo redentor, no entanto, foi substituído pelo incidente com Alonso.
A troca de posições suscitou comparações com o caso de Rubens Barrichello com Schumacher. Para César Gualdani, especialista em marketing esportivo que trabalha com pesquisas de mercado, as posições dentro da Ferrari tornam os casos distintos.
Fonte: Uol Esporte









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