A popularidade de um esporte deve-se, além de outros fatores, do nascimento de ídolos. O nascimento de Guga para o tênis internacional, após o inédito título de Roland Garros em 1997, foi o boom que este esporte precisava dentro do país. O fenomeno Guga levou crianças á se interessarem pelo esporte, a cobertura da mídia televisiva maciça e o crescimento de patrocínios para realização de torneios dentro do país.
O esporte tinha a chance de sair do patamar elitista para tornar-se uma febre nacional. Entretanto, na prática, a oportunidade de crescimento do esporte ficou apenas na promessa. O esporte se manteve apenas na elite e a colheita de resultados mais promissores para o tênis brasileiro não aconteceu. A CBT, confederação brasileira de tênis, não realizou um esforço de âmbito nacional para a popularização do esporte.

Infelizmente, o preço de uma raquete Wilson (não se confundir com o eterno companheiro de Tom Hanks no filme O Náufrago) era muito caro. Os centros de treinamentos eram distantes da maioria da população e a divulgação quase nula. O poder de influência da CBT para a popularização do esporte era inexistente. Eis três fatos que reforçam a minha tese.
1- Ausência de arrecadação com produtos licenciados.
Você lembra da curiosa camisa amarela com detalhes azuis utilizada pelo Guga quando venceu Roland Garros pela primeira vez? (se não lembra, veja a foto) Pois bem, porque não foi mobilizada uma ação para comercializar réplicas dessas camisas. Quem sabe também á sua bandana? Ou talvez, assim como o brasileiro Anderson Varejão da NBA, uma peruca com a cabeleira do Manézinho de Floripa?
Além de intensificar a Gugamania, poderia arrecadar alguns milhoes de reais que poderiam ser investidos na compra de materiais esportivos para atletas com potencial mas desafortunados financeiramente, na construçao de novos centros de desenvolvimento ao redor do país, na contratação de treinadores capacitados para jovens e na promoção do esporte.
Mas você viu alguma dessas ações? Se sim, me retorne porque estou doido para comprar uma camisa dessa que eu mencionei.
2- A realizaçao de um único torneio ATP no país.
Pera lá, o país tem o melhor tenista do mundo e tricampeão em Roland Garros (isso sem falar do período de Maria Ester Bueno) e só temos um torneio ATP? O Brasil Open é um torneio de porte intermediário, ao contrário das etapas do circuito ATP Tour, do Masters Cup e dos Grand Slams.
Ademais, o Brasil Open é disputado em Costa do Sauípe! Com todo respeito a cidade baiana, que aliás é lindíssima, mas a atitude em fazer o principal torneio do país fora dos grandes centros - Sudeste, Sul e capitais - representa o interesse em tornar o esporte elitizado nas altas camadas e excluindo a possibilidade de interação com o principal ídolo da história do esporte.
Po, eu por exemplo não tenho grana para ir até a Bahia. Isto porque eu resido em Santos, no litoral paulista.
3- O boicote de Guga e outros tenistas á CBT na Copa Davis.
Um pouco depois da queda de rendimento de Kuerten, devido a seguidas lesões e operações no quadril, a equipe brasileira da Copa Davis boicotou a competição devido a denúncias de corrupção na gestão da CBT.
Além de não aproveitar a tsunami Guga Kuerten, a confederação apronta uma dessas? Parece que aí foi sacramentado o insuecesso da onda pois o rendimento de nosso ídolo não era o mesmo, o Brasil foi afundando para divisões inferiores da competição de equipes e a falta de jogadores no top100 de ATP não davam mais estímulos para os adeptos ao esporte continuarem acompanhando. Assim, a mídia aos poucos foi se distanciando.
Lamentável ver essa oportunidade de rentabilidade e de maior envolvimento do esporte com os brasileiros ter escorrido por entre os dedos. Guga Kuerten e Meligeni são dois ídolos e, além disso, ambos extremamente carismáticos com a simpatia ao povo brasileiro. Meligeni já parou, Kuerten está quase. E agora? Como diria a música de MPB, ficamos vendo a banda passar, porém, ao contrario da letra, não ficamos cantando coisas de amor.
Domingo que vem eu prometo que falo do Superbowl.
Jardel









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